Nossos objetivos

O objetivo do nosso Blog é compartilhar nossas experiências bem como divulgar a DW para tentar minimizar diagnósticos tardios por falta de informação por parte de alguns profissionais da saúde, o que acarreta graves consequências e sequelas irreversíveis para os portadores da DW. Que possamos estar juntos sem desistir da luta. Creio na força do amor e na superação dos obstáculos impostos pela vida. Juntos somos força, somos amor, somos vida.





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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Glossário



Acetato de zinco
Droga usada na  terapia de manutenção na doença de Wilson que age bloqueando a absorção de cobre pelo aparelho digestivo, prevenindo qualquer novo acúmulo de cobre. O doente precisa antes ser “limpo”de cobre  com o uso de um agente quelante. Nome comercial Galzin.

Anéis de Kaiser-Fleisher
Descoloração da membrana externa da íris causada pelo depósito de cobre. Embora os anéis nem sempre sejam visíveis em todos os pacientes, nunca aparece numa pessoa sem a doença de Wilson. Os anéis não são visíveis a olho nu.Veja fotos  (foto 1 olho sadio e foto 2 olho com os anéis).

Anemia hemolítica
Anemia causada pela destruição (e também pela sub-produção) dos glóbulos vermelhos do sangue.

Assintomático
Algumas pessoas com a doença de Wilson nunca apresentam sintomas característicos da doença.  Essas pessoas são as consideradas assintomáticas.

BAL (British anti-Lewisite)
A primeira droga descoberta para o tratamento da doença de Wilson. É administrada por meio de uma série de injeções dolorosas. O Bal foi desenvolvido originariamente como um antídoto para Lewisite (uma arma química similar ao gás mostarda) .

Biópsia do fígado
Procedimento feito, geralmente com o paciente acordado, em que uma porção minúscula do fígado é extraída com uma agulha especial.

Ceruloplasmina
Uma proteína simples encontrada no sangue que se gruda ao cobre, de tal  maneira que o cobre pode ser removido do corpo através do aparelho circulatório. Mais de 90% dos pacientes de Wilson têm um  índice de ceruloplasmina no sangue abaixo do normal.

Cirrose
Doença do fígado em que as células normais são substituídas por  tecido necrosado, que inibe várias funções do órgão.

Disfagia
Dificuldade para engolir. É comum que o reflexo de engolir seja dificultado nas pessoas com a doença de Wilson. Alimentos e a salivação   “descem pelo tubo errado”

Distonia
Movimentos involuntários e prolongadas contrações musculares. O tipo de distonia provocado pela doença de Wilson  obriga os doentes de Wilson  a assumirem posições não naturais.

Doença de Menkes
Outra desordem genética no metabolismo do cobre em que há um excessivo acúmulo de cobre no fígado e uma  absorção de cobre deficiente na maior parte dos outros tecidos do corpo.

Doença autossomica recessiva
Anomalia hereditária que  pode ocorrer a ambos os sexos. A doença de Wilson é uma doença autossômica recessiva.

Gastroenterologia
Diagnóstico e tratamento de doenças do aparelho digestivo.

Gene
Parte da molécula do DNA que é responsável pelo desenvolvimento de certas características.

Icterícia
Amarelamento da pele e da parte branca dos olhos,  usualmente causada por doenças do fígado ou dos canais condutores da bile.

Penicilamina
Possivelmente a droga mais comumente utilizada no tratamento da doença de Wilson. É uma variante da penicilina e também utilizada no tratamento de artrite reumatóide. Marcas comerciais Cuprimine e Depen .( Vide também Trientine.)


Piredoxina
Veja vitamina B6.

Quelante
Agente que provoca uma reação química com um metal (como o cobre).  Muitas drogas usadas no tratamento da doença de Wilson “reagem” com o cobre de tal maneira que o corpo do paciente possa eliminá-lo.

Renal
Relativo ao rins. A doença de Wilson algumas vezes provoca o mal funcionamento dos rins.

Trientine
Um quelante do cobre algumas vezes usado no tratamento da doença de Wilson. Nome comercial Syprine – disponível no Brasil somente através de importação dos USA.

Vitamina B6
Utilizada sob prescrição médica para combater os efeitos colaterais da Penicilamina





Tratamento


A Doença de Wilson é facilmente tratável. Com a terapia adequada, o desenvolvimento da doença pode ser interrompido e muitas vezes os sintomas podem ser revertidos. O tratamento visa remover o excesso de cobre acumulado e prevenir um novo acúmulo. É importante que o tratamento seja mantido para o resto da vida.

Uma vez diagnosticada a doença, deve-se imediatamente iniciar o tratamento: um atraso de apenas alguns dias pode provocar um agravamento irreversível.

O tratamento consiste em medicação associada a uma dieta alimentar com o mínimo possível de ingestão de cobre, pelo menos na fase da retirada do metal acumulado antes do diagnóstico (ver adiante a tabela com a quantidade de cobre nos alimentos).

No momento, os médicos escolhem uma dentre tres substâncias para tratar a doença: a penicilamina (distribuída no Brasil pela Prodome, da Merck Sharp & Dohme, com o nome de CUPRIMINE); o trientine (SYPRINE), do mesmo laboratório (ainda não disponível no Brasil); o acetato de zinco (no Brasil, manipulado; nos Estados Unidos, distribuído com o nome de GALZIN). Os tres foram aprovados pela FDA americana, o rigoroso órgão de controle dos medicamentos produzidos e comercializados nos Estados Unidos.

penicilamina (CUPRIMINE) tem sido usada nos últimos 20 anos; é um agente quelante útil no tratamento de diversas doenças; na doença de Wilson, destina-se a retirar o cobre depositado em tecidos do organismo: associa-se ao cobre (e outros metais pesados) para formar complexos estáveis que são expelidos pela urina. Entretanto, "é um medicamento com alta incidência de efeitos indesejáveis, alguns dos quais podem ser graves", conforme sua própria bula. Sua ingestão deve ser seguida pelo médico especialista. Costuma-se acompanhá-la de vitamina B6, que parece proteger o sistema nervoso dos efeitos colaterais desta medicação.

acetato de zinco (GALZIN) foi o mais recente medicamento a ser aprovado pela FDA. Ele age bloqueando a absorção de cobre pelo trato intestinal; sua ação remove o cobre acumulado (embora lentamente) e previne um novo acúmulo. Sua maior vantagem é a ausência de efeitos colaterais. A eficácia do acetato de zinco tem sido demontrada há quinze anos, com experiências internacionais; constitui-se em uma alternativa efetiva para a manutenção do tratamento, logo após a retirada do cobre acumulado anteriormente.Pode ser tomado durante toda a gravidez sem causar anomalias no feto; pode também ser usado mesmo por crianças pequenas. O acetato de zinco é particularmente interessante para os pacientes que tenham desenvolvido reações adversas aos agentes quelantes. Ele parece induzir a produção intestinal de metalotionina, uma proteína com grande afinidade com o cobre; essa ação bloqueia a absorção de cobre envolvendo-o com enterócitos. Isto quer dizer que novas ingestões de cobre não atingem o sistema circulatório, sendo excretado.

trientine é um quelante que está sendo utilizado nos Estados Unidos com bons resultados. Pacientes que não toleraram a penicilamina têm, muitas vezes, se beneficiado bastante com o uso do trientine. Ainda não está à venda no Brasil. Para utilizá-lo aqui, é preciso importá-lo.

Há uma outra substância sob investigação inicial para o tratamento da Doença de Wilson: o Tetrathiomolybdate. Embora seus efeitos colaterais não estejam ainda claramente estabelecidos, as indicações são de que é bastante seguro.Tem-se a esperança de que não cause uma piora no quadro neurológico, como pode ocorrer com a penicilamina.

Pacientes portadores de hepatite grave podem precisar de um transplante de fígado.

A interrupção completa do tratamento resultará em morte, algumas vezes num prazo de tres meses. A diminuição da dosagem pode resultar numa progressão desnecessária da doença.

ATENÇÃO
Todas essas informações são apenas uma apresentação da Doença de Wilson e seu tratamento. Não substituem, de maneira nenhuma, uma orientação médica.
Consulte sempre o seu médico.



Diagnóstico



O diagnóstico da Doença de Wilson é feito de maneira relativamente simples.Os exames de laboratório são, principalmente: nível de cobre na urina de 24 horas (maior do que 100 microgramas/24hs), cobre no sangue, contagem de ceruloplasmina no sangue; verificação da existência do anel de Kaiser-Fleischer nos olhos (nem sempre presente).Esse anel, quando presente, é sinal decisivo da doença de Wilson; pode ser invisível a olho nu, por isso é necessário o exame com lâmpada de fenda por um oftalmologista. Estes exames são os principais, e muitos vezes bastam para o diagnóstico.

Se muito necessário, faz-se uma biópsia do fígado (que revelaria mais que 250mg/grama de tecido hepático seco no caso de existir a doença). Frequentemente, anormalidades no cérebro podem ser diagnosticadas pelo exame de ressonância magnética: os gânglios da base e o putâmen são os mais comumente lesados; cerebelo, córtex cerebral e substância branca podem também estar envolvidos. Existem também alterações no PET scan envolvendo uma diminuição do consumo de glicose. Existem também alterações microscópicas características (presença de glicogênio nuclear, esteatose macro e microgoticular e fibrose). Quando há uma hepatite fulminante na doença de Wilson, estão presentes Corpúsculos de Mallory e necrose hepática submaciça.

Os testes podem diagnosticar a doença tanto em pacientes com sintomas, como naqueles que não apresentam nenhum sinal da doença.É muito importante fazer o diagnóstico da Doença de Wilson o mais cedo possível, para evitar sérios danos no fígado mesmo antes de quaisquer sinais da doença se manifestarem. Pessoas com a Doença de Wilson podem falsamente aparentar excelente saúde.

Para os parentes não afetados (assintomáticos), um exame de urina deve ser feito aos cinco e outro aos quinze anos de idade.A averiguação para um baixo nível de ceruloplasmina e de um funcionamento anormal do fígado pode ser feita aos dois anos de idade. 20% dos heterozigotos (portadores), também têm baixo nível de ceruloplasmina no sangue, como os doentes de Wilson.

Todos os irmãos, tios, tias, filhos, sobrinhas, sobrinhos e primos devem fazer o teste para a Doença de Wilson. Os doentes de Wilson podem não apresentar nenhum sinal, sintomas ou evidências da doença.No entanto, todas eles, com traços mínimos ou não aparentes da doença, sempre acabarão ficando muito doentes e eventualmente morrerão se não forem tratados.

Os testes são simples e seguros.Há excelentes tratamentos disponíveis.

O descaso com o tratamento da Doença de Wilson provoca deficiências graves e eventualmente até a morte.


ATENÇÃO
Todas essas informações são apenas uma apresentação da Doença de Wilson e seu tratamento. Não substituem, de maneira nenhuma, uma orientação médica.
Consulte sempre o seu médico.


Genética



A Doença de Wilson é uma doença hereditária recessiva. Isto significa que uma pessoa precisa receber um gene anormal do pai e da mãe para ser um doente de Wilson: a doença só acontece se a pessoa tiver dois genes anormais. Cada um dos pais tem que ser um portador do gene anormal.

Se ambos os pais forem portadores do gene da Doença de Wilson, então a chance de a criança ter a doença é de 25%.

O gene responsável está localizado precisamente no cromossomo 13. O gene é chamado de ATP7B.

Muitos casos da Doença de Wilson ocorrem devido à mutação espontânea do gene. Muitos são simplesmente transmitidos de geração para geração. Um número significativo de casos não tem uma história familiar da doença.

As pessoas com apenas um gene anormal são chamadas de portadoras. 
Elas não desenvolvem a doença e nem precisam de tratamento.

Mais de trinta mutações foram identificadas. Por isso, tem sido difícil encontrar um único teste genético para diagnosticar a doença. Mas se em uma determinada família a mutação for identificada, um diagnóstico genético é possível. Isso pode ajudar no caso de um parente assintomático, de modo que possa ser tratado antes que fique doente ou que seja fisicamente prejudicado.

No futuro, um teste genético possibilitará um diagnóstico pré-natal.

Detalhes genéticos:

 1 em cada 100 pessoas da população são portadoras do gene da Doença de Wilson.Os portadores têm um gene normal e um anormal.  

100% dos pacientes da Doença de Wilson receberam dois genes da Doença de Wilson.


  • 50% das crianças portadoras receberão o gene da Doença de Wilson, desde que o portador tenha um gene normal e um anormal.
  •  Irmãos de pacientes doentes de Wilson têm uma chance de 25% de ter a doença. Desde que ambos os pais de um irmão de paciente sejam portadores, ¼ dessas crianças terão a Doença de Wilson, ½ (2/4) serão portadores e ¼ não terão a doença e nem o gene da doença
  • Crianças filhas de pacientes têm 1 chance em 200 de terem a doença.
  • Do paciente, seus filhos terão 100% de chance de terem o gene anormal.O cônjuge do paciente, sendo uma pessoa normal, tem 1 chance em 100 de ser portador do gene e metade disto de transmiti-lo.
  • Netos de pacientes têm uma chance em 400 de ter a doença.
  •  Dos filhos de pacientes, seus netos têm 50% de chance de terem o gene, já que todos os filhos de pacientes são portadores.Do outro pai/mãe eles têm 1 chance em 200 de receber o gene:1/2 vezes (1/2 vezes 1 em 100) do pai/mãe normal 1 vez em 400.
  •  Sobrinhos e sobrinhas de irmãos que não têm a Doença de Wilson, têm 1 chance em 600 de terem a doença.
  •  2/3 dos irmãos não afetados são portadores do gene.Portanto, o risco de ambos os irmãos se tornarem portadores é de 2/3 vezes 1 em 100 =1em 150; o risco de seus filhos terem a doença é de ¼ vezes 1/150 = 1/600.
  •   Primos têm 1 chance em 800 de terem a doença.
  •  50% dos tios e tias são portadores. No entanto, ½ vezes 1/100 = 1/200 são casais em que cada um é um portador e ¼ de seus filhos – 1/800 – serão afetados.

ATENÇÃO
Todas essas informações são apenas uma apresentação da Doença de Wilson e seu tratamento. Não substituem, de maneira nenhuma, uma orientação médica.
Consulte sempre o seu médico.